BOLETIM #08 | 15/06

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Conheça as rotas que fizeram com que o Coronavírus chegasse aos Territórios Indígenas em Pernambuco

Neste nosso oitavo boletim destacamos os caminhos de expansão da pandemia em Pernambuco que possibilitaram a sua chegada nas Terras Indígenas (TI) no estado.

 "É preciso estar atento para a interiorização do Coronavírus no intuito de criar e fortalecer estratégias que contenham sua proliferação."

Em relação ao último boletim, que lançamos em 05 de junho, são contados os seguintes novos casos: 01 em Atikum; 27 em Fulni-ô; 03 em Xukuru de Cimbres; 01 em Kambiwá; e 02 em Pankararu (Boletim Sesai 15/06). Felizmente, nenhum novo óbito foi computado, contando com 29 infectados, 92 curados e 10 óbitos, num total de 131 casos.

A interiorização da Pandemia

Para entender a chegada da pandemia nas aldeias indígenas e seu comportamento é importante levar em consideração dois principais elementos: as rotas de interiorização da doença e aspectos históricos de cada um dos territórios indígenas.

Uma primeira questão é que a interiorização do vírus em Pernambuco, como já vem sendo divulgado há meses, teve como caminho as principais rodovias do estado, a BR 101 e a BR 232. No caso aqui em questão, como todas as TIs do estado estão nas regiões agreste e sertão, a BR 232 teve papel central nesta dispersão. Para um acompanhamento mais detido desse movimento indicamos o site da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ) que contém painel analítico com os mapas, gráficos e dados da pandemia em Pernambuco, por município (veja mais). Indicamos também o site da Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) de Pernambuco, que tem um painel de casos da Covid-19 no estado (veja mais). 

Levando estes aspectos em consideração, não é difícil entender como os três primeiros povos que contam com a expansão da pandemia em seus territórios são aqueles que estão justamente no curso de grandes rodovias federais. No mapa desta semana, buscamos evidenciar este aspecto. Vamos a cada um dos casos.


 A situação das TIs atingidas

O primeiro povo a sentir o impacto da pandemia em seu território foi Fulni-ô. Como pode ser constatado pelo mapa, a TI é cortada ao meio pela BR 243, que por sua vez encontra a BR 232. Apesar do primeiro caso confirmado do município de Águas Belas ter sido contabilizado apenas em 04 de maio pela Secretaria Estadual de Saúde, foi procedente daí o primeiro óbito de indígena no estado, quase dez dias antes, em 23/04.

 

As semanas seguintes foram preocupantes, o povo Fulni-ô viu a doença se espalhar rapidamente, hoje este povo tem quase 70% dos casos de indígenas positivos para Covid-19 no estado de Pernambuco, 94 confirmados e 04 óbitos. Mas não é por acaso este número tão alto, as condições do território são vulneráveis: aldeia é, praticamente, um bairro da sede municipal. 

Outro caso a ser mencionado é o do povo Xukuru, que tem habitantes em duas terras indígenas, ambas nas margens da BR 232. O primeiro caso no município de Pesqueira foi registrado ainda em abril, no dia 20/04. O Território Xukuru do Ororubá fica contínuo ao centro urbano, mas, diferentemente de Águas Belas, é preciso percorrer alguns quilômetros pra acessar os núcleos habitacionais das aldeias. Hoje, o povo Xukuru conta com 14 casos confirmados nas duas Tis, correspondendo a 11% dos casos.

Por fim, as terras indígenas da Nação Pankararu começaram a sentir o impacto em seus territórios nas últimas duas semanas, justamente quando o quantitativo de infectados pelo coronavírus começou a crescer nos três município que lhes engloba, principalmente em Jatobá e Tacaratu. As TIs ficam nas bordas da BR 110, que liga a BR 243 ao município de Petrolândia. Estes dois últimos têm, assim como Xukuru e Pesqueira, os centros urbanos colados às TIs. Hoje, Pankararu conta com 7 casos confirmados nas duas TIs e mais três na cidade de Jatobá, contabilizando 8% dos casos no estado. 

No mapa desta semana optamos por utilizar duas formas de representação cartográfica que nos auxiliam na leitura das informações apresentadas acima. Um primeiro elemento que chamamos atenção é os diferentes tamanhos de círculos que são proporcionais a quantidade de casos de infectados nas sedes municipais - observem que os maiores círculos estão bem próximo, ou mesmo sobrepostos, as TIs mais afetadas. O segundo componente é a circunferência relativa a 20 km, que também tem como centro as sedes municipais. Aquelas TIs mais próximas aos centros são também as mais infectadas pelo vírus, notadamente  as já mencionada TIs Fulni-ô, Xukuru e Pankararu, que juntas somam 90% de todos os casos no estado. 

Em tempos que começa a se falar em reabertura e fim da quarentena é importante ficar atento. Acompanhar o crescimento do número de casos em cada uma das sedes municipais. Em estudo divulgado no último dia 26/05 pesquisadores da Fundaj apontaram que o sucesso que alguns municípios tiveram no controle da pandemia está ligado a três aspectos: “conclui-se, a princípio, que o isolamento geográfico, a menor densidade populacional e algumas medidas referentes à instalação de barreiras sanitárias, além de outras possíveis causas relacionadas à um grau menos intenso de trocas entre essas cidades não contaminadas e os grandes centros urbanos difusores do coronavírus, são fatores importantes no controle da expansão da pandemia” (Neison Freire, 2020, veja mais
).

Clique aqui para acompanhar os boletins da Rede de Monitoramentos dos Direitos Indígenas em Pernambuco (REMDIPE) sobre a situação dos povos indígenas em nosso estado em tempos de Covid-19

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