SOBRE

A Rede de Monitoramento de Direitos Indígenas em Pernambuco (REMDIPE), com a presente iniciativa, se junta aos inúmeros grupos que têm surgido, no intuito de criar redes de solidariedade no combate e prevenção à disseminação da COVID-19 nos povos indígenas em todo o Brasil.

​Convidamos todos a se juntarem nessa rede de apoio à causa indígena, que propaga informações afim de sensibilizar o poder público e divulgar ações colaborativas de recursos. Saiba mais

CASOS INDÍGENAS

CONFIRMADOS

ÓBITOS

BRASIL

Dados atualizados em: 13/09

Fonte: APIB

31.469

798

NORDESTE

Minas Gerais e Espírito Santos

2.547

047

​Dados atualizados em: 28/08

Fonte: APOINME

PERNAMBUCO

​Dados atualizados em: 28/08

Fonte: REMDIPE

317

013

BOLETIM #11 | 07/08

Pernambuco alcança quase 300 indígenas contaminados com a Covid-19

Neste boletim contamos três meses de monitoramento da incidência da pandemia entre os povos indígenas em Pernambuco. Ao longo desse tempo acompanhamos alertas o crescimento dos casos.

No início de maio foram confirmadas as primeiras mortes de indígenas infectados pela covid-19. Este primeiro mês registrou 66 indígenas contaminados, sendo somados nos meses seguintes por mais 114 casos em junho; e outros 114 de julho até a presente data. Até junho tinham sido registradas 12 mortes, de lá para cá, felizmente, mais nenhum óbito foi contabilizado. Hoje temos um total de 43 infectados ativos e 239 curados, num total de 294 casos de indígenas já contagiados no estado de Pernambuco.

Apesar do caso Fulni-ô ser o que tem a maior quantidade de pessoas que já foram atingidas pela pandemia, ao longo do último mês vimos o número de casos se estabilizar neste povo e crescer em outros. Assim, se no começo de julho os Fulni-ô contavam com 70% dos casos, hoje esse número diminuiu para 52%, sendo seguido por 20% entre os Xukuru, 16% no Tronco Pankararu, 5% Truká. Hoje os únicos povos que não contam com casos da Covid-19 são Tuxi, Kapinawá e Pankaiwká.

 

Barreiras territoriais indígenas

Ao longo de todos esses meses foi dada ênfase na importância da organização dos próprios indígenas na contenção da pandemia, notadamente a partir da manutenção de barreiras no acesso aos seus territórios. Essas barreiras, mais do que unicamente sanitárias, funcionaram (e funcionam) como verdadeiras barreiras territoriais, o que mostra a capacidade de mobilização das organizações indígenas.

Elas foram implementadas em momentos diferentes pelos povos indígenas, algumas delas já duram meses. De forma geral elas tem um importante caráter (in)formativo para os membros das comunidades. Ao passar pelos bloqueios são dadas orientações sobre medidas sanitárias de prevenção, as pessoas são orientadas a usar máscaras, tem acesso a álcool em gel, etc.  A locomoção entre as aldeias e as cidades variou em cada lugar e também de acordo com o momento da pandemia. Houve tempo de fechamento completo, outros em que foram definidos dias específicos para ir para os centros urbanos. Com o passar do tempo várias dessas barreiras foram desfeitas e outras tantas flexibilizaram sua forma de funcionamento.

Ao conversar com as pessoas que atuam, ou atuaram, diretamente nos bloqueios sobre os motivos do fim das barreiras e/ou a flexibilização das mesmas encontramos uma série de razões. Uma delas é a falta de recursos para a manutenção das mesmas, na maior parte dos casos apesar de contar com o apoio dos profissionais da saúde indígena, faltam recursos, por exemplo, para alimentação dos responsáveis que ficam nas barreiras ou ainda faltam mesmo pessoas para ficar nas barreias. Há ainda o desafio de lidar com aquelas pessoas que, mesmo sendo indígenas, não quiseram respeitar os bloqueios. Mais grave ainda foram os casos nos quais as TIs ainda contam com posseiros não-indígenas em seus territórios, que não só não respeitaram os bloqueios, como ameaçavam os indígenas que estavam desenvolvendo essa tarefa coletiva. Por fim, o próprio cansaço de ficar meses a fio nos bloqueios fez com que várias das barreiras fossem desfeitas. Hoje os povos que mantêm as barreiras são principalmente aqueles que estão acometido com o maior número da casos, como é a situação entre os Pankararu, Truká e Fulni-ô.

Acesso à informação

Aqui também registramos que a partir do final de julho, o Informe Epidemiológico da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES), começou a disponibilizar os dados da Covid-19 nas Terras Indígenas em Pernambuco. Eles começaram a ser disponibilizados a partir do informe de número Nº 143/2020, do dia 22 de julho, os dados são alimentados pelo Distrito Espacial de Saúde Indígena em Pernambuco (DSEI-PE). A disponibilização periódica e de acesso para o grande público é um importante avanço no sentido do acesso às informações que são imprescindíveis para pensar o momento que passamos. Os boletins da SES podem ser acessado no site  Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde.

Apesar do grande avanço, ao disponibilizar o acesso às informações relativas à população atendida pelo DSEI-PE (nas Terras Indígenas - TIs), é ainda uma grande defasagem não haver um maior controle das informações acerca da população indígena que se encontra fora das TIs. Portanto, trata-se de uma população que de forma geral não conta com acesso à políticas públicas específicas.

Clique aqui para acompanhar os boletins da Rede de Monitoramentos dos Direitos Indígenas em Pernambuco (REMDIPE) sobre a situação dos povos indígenas em nosso estado em tempos de Covid-19

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